Entender as emissões de escopo 3 é uma exigência estratégica para empresas que buscam reduzir de forma real o seu impacto climático.
Com a expansão das exigências de relatórios de sustentabilidade (ESG) no Brasil e no mundo, empresas de todos os portes precisam dominar esse conceito para cumprir regulamentações, atender clientes e investidores, e construir cadeias de fornecimento mais resilientes.
O que são emissões de escopo 3?
As emissões de escopo 3 abrangem todas as emissões indiretas de gases de efeito estufa geradas ao longo da cadeia de valor. Incluem desde as atividades dos fornecedores até o uso e o descarte dos produtos vendidos.
As emissões de escopo 3 são as mais complexas de medir, mas também as que oferecem maior potencial de redução. Isso inclui as emissões a montante, ou seja, nas atividades dos fornecedores, e as emissões a jusante, no uso e no descarte final dos produtos vendidos.
Emissões de escopo 3: pontos chave
✅ As emissões de escopo 3 englobam toda a cadeia de valor: fornecedores, transporte, uso e descarte dos produtos.
✅ Em empresas de TI, as categorias mais relevantes são fabricação de hardware, uso dos produtos vendidos e gestão de resíduos eletrônicos.
✅ A Evernex ajuda a reduzir o escopo 3 por meio de manutenção por terceiros, hardware recondicionado e gestão responsável do ciclo de vida dos ativos.
O que são emissões de escopo 1, 2 e 3?
O GHG Protocol — o padrão de contabilidade de emissões mais utilizado no mundo — organiza as emissões corporativas de GEE em três grupos chamados escopos. Cada um cobre uma origem diferente de emissões:
| Escopo 1 | Escopo 2 | Escopo 3 | |
|---|---|---|---|
| Tipo | Emissões diretas | Indiretas energéticas | Indiretas da cadeia de valor |
| Origem | Fontes próprias ou controladas | Eletricidade e calor comprados | Toda a cadeia de valor |
| Controle | Total | Parcial | Limitado |
| Exemplo | Combustão em veículos próprios | Eletricidade do data center | Fabricação de servidores comprados |
| Dificuldade | Baixa | Média | Alta |
Escopo 1: emissões diretas
São as emissões provenientes de fontes que a empresa possui ou controla diretamente: combustão em caldeiras, frotas próprias, geradores e emissões fugitivas de gases refrigerantes.
Escopo 2: emissões indiretas energéticas
São as emissões associadas à geração da eletricidade, vapor ou calor comprados pela empresa. A combustão ocorre fora das instalações, mas as emissões são atribuídas a quem consome essa energia.
Escopo 3: emissões indiretas da cadeia de valor
Engloba todas as demais emissões indiretas: desde a extração de matérias-primas pelos fornecedores até o uso e o descarte dos produtos vendidos pela empresa. É o escopo mais amplo e, na maioria dos casos, o de maior impacto.
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Quais são as 15 categorias do GHG Protocol?
O GHG Protocol divide as emissões de escopo 3 em 15 categorias, organizadas em dois blocos:
| # | Categoria | Descrição |
|---|---|---|
| Emissões a montante (upstream) | ||
| 1 | Bens e serviços adquiridos | Emissões dos fornecedores para fabricar os produtos que a empresa compra. |
| 2 | Bens de capital | Emissões associadas à fabricação de equipamentos e infraestrutura adquiridos. |
| 3 | Atividades relacionadas a combustível e energia | Emissões não incluídas nos escopos 1 e 2 (extração, transporte e refino de combustíveis). |
| 4 | Transporte e distribuição (upstream) | Transporte de materiais e produtos até a empresa. |
| 5 | Resíduos gerados nas operações | Gestão de resíduos produzidos durante as atividades da empresa. |
| 6 | Viagens de negócios | Voos, trens e deslocamentos de colaboradores em viagens corporativas. |
| 7 | Deslocamento de colaboradores | Trajetos diários entre o domicílio e o local de trabalho. |
| 8 | Ativos arrendados (upstream) | Emissões de ativos alugados de terceiros e usados nas operações da empresa. |
| Emissões a jusante (downstream) | ||
| 9 | Transporte e distribuição (downstream) | Transporte dos produtos até o cliente final. |
| 10 | Processamento de produtos vendidos | Emissões do processamento posterior por intermediários. |
| 11 | Uso dos produtos vendidos | Emissões geradas quando os clientes utilizam os produtos. |
| 12 | Tratamento ao final da vida útil | Gestão e descarte de produtos no fim do ciclo de vida. |
| 13 | Ativos arrendados (downstream) | Emissões de ativos que a empresa aluga aos seus clientes. |
| 14 | Franquias | Emissões de franqueados sob a marca corporativa. |
| 15 | Investimentos | Emissões associadas a participações financeiras em outras empresas. |
Para empresas de tecnologia, as categorias de maior impacto costumam ser:
- 1 (bens e serviços adquiridos, como hardware),
- 9 (transportes e distribuição),
- 11 (uso dos produtos vendidos),
- 12 (resíduos eletrônicos ao final da vida útil).
Juntas, podem representar mais de 80% da pegada de carbono total do setor.
Como calcular emissões de escopo 3?
Calcular as emissões de escopo 3 é mais complexo do que os escopos 1 e 2, pois exige dados de terceiros e fatores de emissão específicos. Com um método estruturado, no entanto, é perfeitamente viável. Conheça os passos a seguir:
Passo 1: Identificar as categorias relevantes
Nem todas as 15 categorias são significativas para cada empresa. O primeiro passo é priorizar aquelas com maior peso nas operações. Uma empresa de TI deve focar em fabricação de hardware, transporte, logística e gestão de resíduos eletrônicos.
Passo 2: Coletar dados de atividade
Para cada categoria selecionada, são necessários dados quantificáveis: quantidade de produtos comprados, quilômetros percorridos, toneladas de resíduos gerados etc. Esses dados podem vir de notas fiscais, registros logísticos, questionários aos fornecedores ou estimativas setoriais.
Passo 3: Escolher o método de cálculo
O GHG Protocol propõe três abordagens principais:
- Método baseado em gastos (spend-based): Multiplica o gasto financeiro em cada categoria por um fator de emissão monetário. É o menos preciso, mas útil como ponto de partida.
- Método baseado em atividade: Utiliza dados físicos reais (kg, km, kWh) combinados com fatores de emissão padronizados. É mais preciso.
- Método baseado no fornecedor: Usa dados reais de emissões reportados pelos próprios fornecedores. É o mais exato, mas requer uma cadeia de fornecimento transparente.
No guia técnico para calcular emissões de escopo 3 da GHG recomenda uma abordagem híbrida (Hybrid method), usando métodos de maior qualidade para os maiores fornecedores e métodos baseados em dados médios ou gastos para o restante.
Passo 4: Aplicar fatores de emissão
Os fatores de emissão convertem os dados de atividade em toneladas equivalentes de CO₂ (tCO₂e). Bases de dados de referência incluem DEFRA (Reino Unido), EPA (EUA) e as publicações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) no Brasil.
Passo 5: Verificar e validar o inventário
Após somar as emissões por categoria, recomenda-se submeter o inventário a verificação externa para garantir rigor e credibilidade perante investidores, clientes e órgãos reguladores.
Passo 6: Reportar e definir metas
O inventário deve ser integrado nos relatórios de sustentabilidade da empresa (GRI, TCFD ou CDP) e usado como base para definir metas de redução alinhadas aos objetivos climáticos globais, como o Acordo de Paris e a agenda Net Zero 2050.
Exemplos de emissões de escopo 3 em empresas de TI e tecnologia
-
Fabricação de hardware:
-
Resíduos eletrônicos (e-waste):
-
Uso dos produtos vendidos:
Segundo o Tech Carbon Standard, a pegada total do ciclo de vida de um servidor padrão ultrapassa 5.600 kg de CO₂e, dos quais cerca de 1.726 kg são gerados apenas na sua fabricação. Multiplicado por centenas de equipamentos por ano, o impacto na categoria de bens de capital é um dos mais relevantes do escopo 3.
O descarte inadequado de equipamentos libera GEE e poluentes. Cada tonelada de e-waste gerenciada incorretamente equivale a emissões significativas de gases fluorados.
Se uma empresa vende soluções de hardware que os clientes operam em data centers, o consumo energético associado integra o escopo 3 do vendedor.
Como reduzir emissões de escopo 3?
Reduzir as emissões de escopo 3 exige uma estratégia de TI verde coordenada com toda a cadeia de valor. Estas são as principais alavancas:
Estender a vida útil do hardware de TI:
Grande parte da pegada de carbono de um servidor é gerada durante a sua fabricação, não durante o uso. Adiar a substituição — de 3 para 5 ou até 7 anos — reduz drasticamente a necessidade de nova fabricação.
Optar por hardware recondicionado:
A aquisição de equipamentos recondicionados certificados evita as emissões de fabricação de hardware novo, e reduz a pegada de carbono da sua infraestrutura TI .
Gerenciar responsavelmente o fim de vida dos ativos:
O ITAD (IT Asset Disposition) garante que os equipamentos obsoletos sejam desmontados, reciclados ou reaproveitados de forma certificada, reduzindo as emissões da categoria 12 do escopo 3.
Trabalhar com fornecedores sustentáveis:
Engajar os fornecedores na medição e redução das próprias emissões é essencial, incluindo critérios de sustentabilidade na seleção e processos licitatórios.
Reduzir viagens de negócios e deslocamentos:
Promover o trabalho remoto, substituir voos por videoconferências e incentivar o transporte público nos deslocamentos diários têm impacto direto nas categorias 6 e 7 do escopo 3.
Otimizar a logística e adotar veículos elétricos no transporte de produtos:
Revisar e otimizar as rotas de distribuição reduz quilômetros percorridos e, consequentemente, as emissões associadas ao transporte de mercadorias. Complementarmente, a transição para frotas elétricas ou de baixa emissão na cadeia logística contribui diretamente para a redução das emissões da categoria 4 do escopo 3.
Exigir energia renovável na cadeia de fornecimento:
Solicitar que os fornecedores-chave comprovem o uso de energia renovável reduz indiretamente as emissões de escopo 3 associadas aos bens e serviços adquiridos.
Qual é a relação entre escopo 3 e pegada de carbono?
A pegada de carbono corporativa é o somatório de todas as emissões de GEE geradas pelas atividades de uma empresa, medidas em toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e). O escopo 3 é, na maioria dos setores, o componente dominante dessa pegada.
Enquanto os escopos 1 e 2 cobrem as emissões dentro das fronteiras operacionais da empresa, o escopo 3 expande o olhar para toda a cadeia de valor — e é justamente aí que está a maior oportunidade de redução de impacto.
Regulamentação no Brasil: o escopo 3 é obrigatório?
O reporte de emissões de escopo 3 ainda não é universalmente obrigatório no Brasil, mas o cenário regulatório avança rapidamente e a tendência é clara: a divulgação tornar-se-á cada vez mais exigida.
Marcos regulatórios relevantes
| Marco regulatório | O que estabelece |
|---|---|
| PNMC — Lei 12.187/2009 | Compromissos de redução de emissões e incentivo à contabilização de GEE pelas empresas |
| Resolução CVM 59/2021 | Exige divulgação de riscos climáticos por empresas listadas seguindo o modelo TCFD, incluindo escopo 3 quando material |
| Programa Brasileiro GHG Protocol | Adapta o GHG Protocol à realidade brasileira, com Registro Público de Emissões incluindo escopo 3 |
| Agenda Net Zero da B3 | Incentiva divulgação de metas de redução de emissões, incluindo escopo 3, nos critérios ESG do ISE |
| ISSB/IFRS S2 | Padrões globais que o Brasil deve adotar progressivamente, exigindo reporte de escopo 3 para empresas de capital aberto |
Mesmo para empresas que ainda não estão sujeitas a obrigatoriedade legal, o escopo 3 já é exigido por grandes clientes corporativos e multinacionais em seus questionários de due diligence sustentável.
Estruturar o inventário agora é uma vantagem competitiva — e uma preparação estratégica para as exigências que estão por vir.
Como a Evernex pode ajudar a reduzir o seu escopo 3
A fabricação de servidores, switches e equipamentos de rede gera uma pegada de carbono considerável, e reduzi-la é precisamente o foco da Evernex.
Por meio de manutenção por terceiros (TPM), hardware recondicionado e gestão responsável do fim de vida dos ativos (ITAD), ajudamos as empresas a estender a vida útil dos equipamentos, reduzir emissões e atuar diretamente nas categorias mais relevantes do escopo 3.
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Perguntas frequentes sobre emissões de escopo 3
O que são emissões de escopo 3?
As emissões de escopo 3 compreendem todas as emissões indiretas de gases de efeito estufa que ocorrem na cadeia de valor de uma organização, tanto nas atividades dos fornecedores (a montante) quanto no uso e descarte dos produtos pelos clientes (a jusante). São as mais difíceis de medir, mas também as de maior peso na pegada de carbono total da maioria das empresas.
Quais são as categorias de escopo 3?
O GHG Protocol define 15 categorias de escopo 3: 8 a montante (bens e serviços adquiridos, bens de capital, combustíveis e energia, transporte upstream, resíduos operacionais, viagens de negócios, deslocamento de colaboradores e ativos arrendados upstream) e 7 a jusante (transporte downstream, processamento, uso dos produtos, fim de vida útil, ativos arrendados downstream, franquias e investimentos).
Como calcular emissões de escopo 3?
O cálculo segue seis etapas: identificar as categorias relevantes para o negócio, coletar dados de atividade (quantidades, distâncias, gastos), escolher o método de cálculo (spend-based, activity-based ou supplier-based), aplicar fatores de emissão reconhecidos, verificar o inventário e reportar os resultados em relatórios de sustentabilidade.
Escopo 3 é obrigatório no Brasil?
Ainda não de forma universal, mas a Resolução CVM 59/2021 já exige que empresas listadas divulguem riscos climáticos — incluindo emissões de escopo 3 quando materiais — seguindo o modelo TCFD. A tendência regulatória, com a adoção dos padrões ISSB/IFRS S2, aponta para uma obrigatoriedade progressiva para empresas de capital aberto.
Qual a diferença entre escopo 1, 2 e 3?
O escopo 1 cobre emissões diretas de fontes próprias (veículos, caldeiras). Por sua vez, o escopo 2 inclui emissões indiretas da eletricidade e energia térmica comprada. O escopo 3 abrange todo o restante: emissões da cadeia de fornecimento, dos produtos vendidos, das viagens dos colaboradores, dos resíduos gerados e do fim de vida dos produtos.